quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tudo o que você sempre quis saber sobre tratamentos com células-tronco

É fácil de encontrar algum conhecido que tenha esperança no potencial extraordinário dos tratamentos terapêuticos com células-tronco. O assunto é controverso mesmo no meio médico. Cientistas também não escapam da confusão, afinal são diversos tipos de células-tronco com diferentes aplicações. Simplesmente não dá pra saber tudo o que está acontecendo. Nessa situação, a sociedade sai perdendo, pois não tem acesso a informações atualizadas, não sabe quais os tratamentos disponíveis. Pior, fica sem saber se pode ou não confiar em tal clínica, quanto custa o tratamento ou se é realmente seguro e eficaz.

Células-tronco estão na mídia o tempo todo, mas a informação que chega até o paciente é pulverizada. Foi com a intenção de centralizar essas informações e facilitar a transmissão dos dados sobre tratamentos disponíveis a pacientes e profissionais de saúde que a Sociedade Internacional de Pesquisa com Células-Tronco (ISSCR, na sigla em inglês) lançou recentemente um portal de acesso para a comunicação dos avanços em células-tronco na área clínica (http://www.closerlookatstemcells.org//AM/Template.cfm?Section=Home).

O ISSCR é uma sociedade internacional sem fins lucrativos cujo objetivo é a divulgação dos avanços na área de células-tronco. Participo da sociedade desde sua criação, em 2002, e sempre admirei a forma como é liderada, com uma mistura balanceada de cientistas, pacientes e clínicos. O lançamento desse portal ressalta a preocupação da ISSCR com a transmissão da informação ao público, de forma transparente e sem preconceito.

O portal é bem organizado, de fácil navegação e com linguagem leiga, acessível. A grande desvantagem para o público brasileiro é que a página não tem tradução para o português. Por outro lado, as vantagens são muitas. Além de listar diversas informações úteis e vídeos de cientistas discutindo terapias, oferecidos através de um sistema de busca simples, o portal é interativo e permite a avaliação independente de clínicas em qualquer lugar do globo que ofereçam tratamentos com células-tronco.

O paciente que considera um tratamento é auxiliado na avaliação do método e da clínica que o oferece. Uma série de questões são sugeridas para o paciente perguntar ao médico sobre o procedimento. Talvez mais importante seja a ferramenta que permite recomendar uma clínica para uma revisão científica e médica rigorosa feita pela ISSCR. O órgão vai avaliar a base cientifica, o procedimento clínico, as condições, os profissionais e a eficácia do tratamento, confirmando ou não se existe fraude envolvida.

O protocolo de avaliação levará alguns meses e será padrão. O comitê é formado por membros internacionais, evitando qualquer tipo de preconceito contra o tratamento oferecido. A ISSCR preferiu seguir esse procedimento ao invés de apenas listar as clínicas que considera de baixa qualidade, o que poderia ser algo certamente tendencioso. O racional da avaliação e o protocolo a ser utilizado foi publicado recentemente por um grupo multidisciplinar (Taylor e colegas, Cell Stem Cell 2010). A ideia é evitar que as clínicas se aproveitem do desespero do paciente, cobrando por um tratamento não provado ou ainda experimental. Todos os resultados serão publicados online. Acredito que, com o tempo, as próprias clínicas (pelo menos as mais sérias) vão fazer questão de ser validadas pela ISSCR, ganhando um selo de confiança e atraindo mais clientes.

Achei a idéia da avaliação internacional fantástica, pois permite que clínicas fora dos EUA ou Europa, que não sofrem com a lentidão dos padrões altamente rigorosos dos órgãos de saúde (o FDA americano e EMA europeu), de conseguir atrair atenção mundial com tratamentos efetivos, mas que sofriam preconceitos. Isso deve fortalecer a imagem da pesquisa clínica desses países, levando a publicações em revistas de alto impacto, por exemplo. A meu ver, ótima oportunidade para o Brasil.

Outra parte sensacional desse portal é dedicada ao processo de geração do conhecimento científico que leva a um protocolo clínico. Nessa seção, intitulada de “How science becomes medicine”, está descrito em detalhes e com linguagem clara quais são os passos que a ciência tem que seguir para descobrir e confirmar a eficácia de um tratamento.

As células-tronco exercem hoje um papel único na história da medicina. Pacientes desesperados pela cura, depositam todas as esperanças em tratamentos derivados das pesquisas com células-tronco. A dura realidade é que, salvo algumas doenças sanguíneas, as células-tronco não “curaram” nada até agora. O sonho da cura não pode ameaçar a qualidade da ciência. As direções a seguir no futuro só devem ser decididas pelos resultados gerados nos laboratórios e não por sonhos. A ciência é a única atividade humana que poderá transformar esperanças em realidade.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Depoimento Márcio Vaz

Aproveitando que estamos na moda, e que ser tetraplégico agora, é ser “pop star,” venho aqui postar, minha reflexão sobre a vida de um lesado medular. Nem tudo é fácil, nem tudo é difícil, mas quando se quer e se faz por merecer, tudo pode acontecer. Pior do que as barreiras físicas, são as barreiras psicológicas e não está no corpo, mas sim na cabeça as chaves de todas as possibilidades. Oportunidades não foram feitas para serem encontradas e sim criadas, quando assim necessário for. Reaprendi com a vida, que quem espera, nuca alcança, mas quem busca e persevera sempre prospera. Limitações todos nós temos, independente das condições físicas em que nos encontramos, a única coisa que nos impossibilita nas nossas conquistas, é a maneira como enxergamos nossa vida, com o olhar de problema ou o de solução. Me chamo Márcio Vaz, tenho 34 anos e sou tetraplégico há 12 anos. Teclo com a boca, pois possuo total ausência de movimentos dos braços. Por muito tempo vivi no mundo das impossibilidades e das limitações, pois para tudo eu tinha uma dificuldade. Foi quando um certo dia, eu acordei para vida, e para os problemas passei a gerar soluções. Daí tudo mudou, percebi e descobri que não sou o que aparento, mas sim o que represento. E que minhas vitórias vão até onde eu deixá-las ir, pois sou eu que as alimento e sou o principal responsável por elas. Se hoje sei que tudo posso, é porque muito acreditei e fiz por mim. O mérito de toda ação, só vem mediante o esforço. Mas o que os trago hoje aqui, não são minhas evoluções físicas, mas sim, meu crescimento moral, ascensão social e progresso profissional. Atualmente sou monitor em grupo de estudo e assistência espiritual, sou estudante de Psicologia da UNIFOR, funcionário da CRS Empresarial, com cálculos previdenciários, contador da empresa Lado Oposto & Representações e Vice Presidente do Instituto IDEIAS do BRASIL – Instituto de Desenvolvimento da Educação, Inclusão e Ação Social do Brasil. Ainda estou longe de alcançar tudo o que almejo, pois quero tudo do meu tamanho e o meu tamanho é aquele que eu procurar e lutar por conceber. Nunca penso em parar de crescer, porque na vida, me foram impostas duas escolhas, a de ser visto como coitado, ou a de ser visto como exemplo. E eu abracei a causa do exemplo. Não que eu seja um herói, longe disso, sou apenas um sobrevivente que luta por seus ideais e interesses. E que encontrou sua felicidade, na satisfação pelo que tem e não pelo que possa vir a ter. Da vida, mais agradeço do que peço, pois sei que tenho mais do que preciso. E minha maior gratidão é pelo simples fato de existir. Há quem diga, que a vida não é fácil, mas é na dificuldade que mais tenho aprendido. Que todos aqueles que cheguem a ler esse depoimento, encontrem em suas vidas, todas as dificuldades que os fizerem crescer e se melhorarem como pessoas, pois a vida não é mole, mas também não é dura, com aqueles que a saibam fazer amolecer. Difícil é não tentar e esperar que a felicidade bata à sua porta. Sigam apenas a lógica da vida, que nos manda favorecer e remediar o desfavorável, e não desfavorecê-lo e agravá-lo ainda mais. marcio@ideiasdobrasil.org

Cientistas da UFRJ testam com sucesso células-tronco de embrião em animais

RIO - Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ alcançaram um avanço na busca por um tratamento para paralisia causada por danos na medula espinhal ao recuperar o movimento de animais paraplégicos com implantes produzidos a partir de células-tronco embrionárias. O estudo confirmou que células tiradas de embriões são um caminho promissor para tratar lesões hoje incuráveis. O trabalho, todavia, ainda é totalmente experimental.

Aceita para publicação na revista científica "Brain Research", a pesquisa mostrou que semanas após receberem uma injeção de células, os roedores recuperaram boa parte da capacidade de locomoção. Apenas cinco países já analisaram o efeito de células-tronco embrionárias na recuperação de paraplegia em animais. A meta dos cientistas agora é ampliar o estudo para macacos, mais próximos do homem.

Custos e problemas éticos considerados
O tratamento dos camundongos foi realizado no Laboratório de Neurodegeneração e Reparo da UFRJ, que estuda terapias celulares para lesões de medula. O grupo, liderado por Ana Martinez, recebeu células-tronco embrionárias do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE), também vinculado à universidade.

- Queremos saber que tipo de célula-tronco terá melhor relação de custo e benefício em um tratamento - antecipa a neurocientista. - Nosso objetivo é descobrir quais são as mais fáceis de adquirir, que não envolvam tantos problemas éticos em sua adoção e provoquem menor rejeição do organismo. As embrionárias foram as primeiras a passar por nosso teste.

As células-tronco embrionárias são conhecidas por sua capacidade de originar todos os tecidos do corpo humano. Na experiência, os pesquisadores da UFRJ injetaram células nervosas que haviam sido desenvolvidas a partir das extraídas de embriões.

- O modo como diferenciamos as células foi suficiente para evitar a formação de tumores e permitir melhores resultados - explica Stevens Rehen, coordenador do LaNCE no Rio. - Poderíamos dar outras pistas a elas, especificando-as ainda mais. No entanto, queríamos vê-las assumindo o papel que julgassem mais interessante para o local comprometido. Trabalhamos com células embrionárias com a expectativa de não só recuperar o local da lesão, como, também, de fazer uma reposição celular.

Dez minutos após os cientistas provocarem a lesão - planejada para se assemelhar o máximo possível à paraplegia humana provocada por acidente -, os camundongos receberam a injeção das células-tronco.

Os dois meses seguintes foram de observação. Os roedores eram filmados enquanto andavam por uma área cercada de 90 centímetros de diâmetros, e sua velocidade foi comparada à de camundongos saudáveis e à de outros que tiveram a mesma lesão, mas não receberam células-tronco.

A qualidade do movimento também foi avaliada. Em uma escala de 1 a 9 - sendo 9 uma mobilidade comum, obtida antes da lesão -, os roedores que passaram por transplante de células-tronco registraram índice 3,8. É quase o dobro daqueles que não passaram por qualquer tratamento (2,0).

- Foi uma diferença significativa - comemora Ana. - O transplante melhorou a função motora dos animais. Aqueles que não receberam células-tronco também registraram uma pequena melhora, devido à reação do próprio organismo ao edema. É algo também visto nos seres humanos, embora com intensidade muito menor.

Impulsos nervosos são fortalecidos
Além de duplicar a resposta natural do corpo, as células-tronco embrionárias reforçaram as bainhas de mielina. Estas estruturas envolvem as células da medula espinhal e seus prolongamentos, favorecendo a transmissão de impulsos nervosos - ou seja, o transporte daquilo que é comandado do cérebro para o músculo. Embora aconteçam anualmente milhares de lesões de medula espinhal em todo o mundo, o processo que impede o corpo de se regenerar e evitar a paralisia é pouco conhecido.

Mesmo com o sucesso de seu estudo, Rehen pondera que ainda será necessário obter uma série de avanços antes de aplicar, em seres humanos, o tratamento experimentado em laboratório.

- Um dos grandes problemas para qualquer transplante celular é a dificuldade das células em se integrar no tecido. Temos de aumentar sua taxa de sobrevivência, que hoje é de apenas 20% - ressalta o pesquisador.

O trabalho dos grupos de Ana e Rehen foi o primeiro no país a aplicar células-tronco embrionárias em medula espinhal e conseguir resultados positivos. No mundo, já são 41 estudos, mas o tema ainda é recente.


Renato Grandelle
Publicado em 29/06/2010
Site: O Globo

Cirurgia envolvendo células tronco é realizada em São Roque

24/6/2010
Amábile Bianchi



Bebê que doou o material tentará ajudar o irmão que ficou tetraplégico em um acidente.
Com uma missão muito especial, veio ao mundo na manhã desta quinta-feira, dia 24/06 Luiz Henrique Sebben, que pode ajudar o irmão Lucas Sebben, que ficou tetraplégico em um acidente, a voltar a se movimentar.No carnaval de 2007 em Goiás, Lucas se acidentou quando estava praticando tirolesa, ao invés de cair em um rio que deveria ter mais de quatro metros de altura, caiu em um banco de areia e bateu com a cabeça, na época ele tinha 18 anos.
A esperança surgiu após os avanços de curas com células troncos, essas células tem a capacidade de dar origem a todos os tipos de células que formam diferentes tecidos no corpo humano.
Essa foi a primeira vez que uma cirurgia que envolve células troncos aconteceu na Santa Casa, em São Roque, logo que o menino de 2,565 kg, nasceu de uma cesariana, médicos especializados do Centro de Criogenia Brasil, CCB, de Sã Paulo, junto a ginecologista e obstetra Dra.Fernanda Pedroni, realizaram a retirada das células do cordão umbilical, do sangue e da placenta do bebê. “Foi um parto bem tranquilo, e uma iniciativa muito bonita da família”, falou a médica.
De acordo ainda com ela, esse procedimento não dá nenhuma garantia que o irmão do bebê Luiz Henrique volte a ter os movimentos. “Existe uma série de procedimentos e exames que serão feitos agora, não existe uma garantia que dê certo, mas com os avanços da genética existe uma boa possibilidade, o importante é que essa família está tentando”, explicou a Dra. Fernanda, que falou ainda, “mesmo que não sirva para o irmão do recém nascido, se ele tiver algum tipo de doença essas células podem salvar a vida dele, já que elas não têm tempo para o uso”.
A iniciativa de ter o bebê e coletar o material genético foi de Miguel Angelo Sebben, pai de Lucas e do pequeno Luiz Henrique. “Após o acidente do meu filho Lucas estamos tentando de tudo para que ele volte a ter os movimentos, e vimos no nascimento de Luiz Henrique essa oportunidade, tenho certeza que ele veio ao mundo para ser a esperança ao meu filho mais velho”, falou o pai.
Sebben contou que seu filho Lucas está muito esperançoso com a possibilidade. “Ele ainda está meio no ar, mas disse que o novo irmão é muito bem vindo”, disse emocionado o pai.


http://www.jeonline.com.br/sitenovo/exibe_noticia.asp?n=3945&id=582

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Invasor usou cadeira de rodas para entrar no estádio de Durban

Mario Ferri levantou de repente e correu para o gramado; torcedor optará por multa ou prisão



O italiano que invadiu o campo na quarta-feira, durante a partida entre Alemanha e Espanha em Durban, usou uma cadeira de rodas para entrar no estádio, como revelou hoje a Polícia.

"De repente, ele se levantou e correu para o campo", disseram os policiais, que explicaram que o invasor poderá escolher entre pagar uma multa de 3 mil rands (R$ 696,6) ou passar três meses na prisão.

Segundo a Corte dedicada às questões da Copa do Mundo, Mario Ferri, de 23 anos, cometeu o delito de invasão de campo, mas não de entrada ilegal, já que possuía ingresso.

O invasor buscava protestar pela ausência o atacante Cassano na seleção italiana. Pelo mesmo motivo, Mario Ferri já tinha invadido o campo em novembro passado, durante o amistoso entre Itália e Holanda, em Pescara.

Fonte: http://www.copa2014.org.br/copadomundo2010/noticias/4476...

Mundo não acaba em 2012

Textos maias não mencionam apocalipse daqui a dois anos, diz cientista

O mundo deverá passar ileso pelo ano de 2012, a julgar pelas declarações de Carlos Pallán, diretor do Acervo Hieróglifo e Iconográfico Maya do Instituto Nacional de Antropologia e História do México. Há alguns anos lendas dão conta de que os povos maias teriam deixado provas de que a vida no planeta se findaria em 2012 - a história deu à luz até um nome, de título homônimo.

Para Pallán, Em nenhum dos 15 mil textos existentes dos antigos maias está escrito que em 2012 haverá grandes cataclismos. O cientista disse que estas versões apocalípticas foram geradas em publicações esotéricas nos anos 1970, que assinalavam o fim da civilização humana para 2012, data que coincide com o décimo terceiro ciclo no calendário maia, no dia 21 de dezembro.

“Os maias jamais mencionam que o mundo vai acabar, jamais pensaram que o tempo terminaria em nossa época, o que nos reflete à consciência que alcançaram sobre o tempo, a partir do desenvolvimento matemático e da escritura”, destacou.
Pallán ainda explica que a data correta para o final do ciclo é 23 de dezembro de 2012 - e não 21, como vem sendo veiculado.

Na pior das hipóteses, caso as observações do cientista estejam erradas, teremos dois dias a mais de vida no planeta.


Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/mundo-nao-acaba-em-2012