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quarta-feira, 6 de abril de 2011

CÉLULAS TRONCO

Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) da UFRJ, coordenado pelo Dr. Stevens Rehen.

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que em nosso laboratório não realizamos testes clínicos.
Trabalhamos com pesquisa básica e testes em animais, não em humanos. Nosso único contato com os pacientes é através do site, onde fazemos um serviço de informação sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, mas os ensaios clínicos não são do nosso laboratório.

Os testes com as células-tronco embrionárias para lesão medular já se iniciaram nos EUA e o primeiro paciente recebeu as células em outubro de 2010.

Poderá ver um breve comentário sobre isso em nosso site (http://www.lance-ufrj.org/textos.html).
Os pacientes atendidos serão todos com lesões bem recentes (com no máximo 14 dias) e entre T3 e T10.
Os testes realizados em animais demonstram que, nestes casos, a garantia de melhora é maior.
A responsável é uma empresa particular chamada Geron (http://www.geron.com/) e uma série de hospitais nos EUA estarão atuando nesse processo. Até o momento, apenas um paciente recebeu as células, segundo as informações divulgadas.

Nesse primeiro momento, os testes são para avaliar a segurança do procedimento.
Portanto, assim que isto for verificado, a Geron pretende estender o estudo para pacientes com lesões
cervicais e incompletas, mas não mencionam o tempo de lesão; acredito que seja o mesmo. Somente com o
sucesso destes primeiros testes, é que outros surgirão e casos como o seu (lesões antigas) poderão ser atendidos.

A grande maioria dos estudos atuais são voltados para lesões agudas. Embora isso possa parecer cruel,
tem sua razão de ser. Os tratamentos em teste na atualidade ainda possuem limitações e casos de traumas
recentes são mais fáceis de obter melhora clínica. Isso não quer dizer que pacientes com traumas antigos não
possam vir a ser tratados também. As pesquisas avançam a cada dia de forma a atender mais e mais casos.

Se forem obtidos bons resultados com as lesões agudas, o próximo passo, certamente, será tratar lesões crônicas, mas alguns obstáculos ainda precisam ser vencidos. É preciso, antes, que os pesquisadores descubram como obter os mesmos resultados em casos crônicos.

Quando a primeira linhagem de células-tronco embrionárias foi obtida em 1998, acreditava-se que
levaríamos décadas para começar o primeiro teste clínico, o que aconteceu, de fato, muito antes do esperado.

Embora para os pacientes possa parecer tudo muito lento, as pesquisas têm avançado a uma velocidade enorme.
Mesmo para os pacientes com lesões agudas, não se pensa em cura no momento, mas em uma melhora na qualidade de vida (ex.: poder firmar-se sobre as pernas ou, pelo menos, ter controle sobre a bexiga).
Os reais benefícios ainda são incertos e somente o tempo dirá. Se houver cura, será ótimo, mas não estão criando este tipo de expectativa, já que os estudos são ainda muito recentes.

Existem alguns estudos para lesões crônicas em andamento, mas que utilizam células-tronco adultas.
Um deles acontece na Bahia. Veja no link:

O contato do Professor responsável pela pesquisa é:
Ricardo R. dos Santos, telefone (71) 3281-6455, e-mail: ricardoribeiro@cbtc-hsr.org

Um outro estudo, que infelizmente não ocorre no Brasil, tem uma estratégia parecida.
Também usa o transplante de células da medula óssea na tentativa de recuperar lesões medulares.

Esse teste é desenvolvido em Louisiana, Estados Unidos. Segue o link:


Um novo teste foi recentemente aprovado para lesões crônicas, usando células-tronco neurais.
Os estudos serão de fase I e II, ou seja, para avaliar a segurança e eficácia preliminar em
pacientes com graus variados de paralisia que têm entre três e 12 meses pós-lesão no momento do transplante.

O grupo responsável pelo teste é da Suíça. Segue o link:

É muito importante estar atento aos critérios de inclusão nesses testes clínicos. O tempo e altura da lesão,
idade e algumas condições físicas e de saúde podem ser determinantes para incluir ou excluir o paciente do teste, e cada teste tem critérios próprios.

De qualquer forma, recomendo a você que visite periodicamente o site www.clinicaltrials.gov.
Lá irá encontrar todos os estudos clínicos realizados no mundo para as mais variadas doenças,
quais métodos utilizam, se estão ou não recrutando pacientes e quais os critérios de aceitação.
Poderá manter-se informado acerca dos novos tratamentos que forem surgindo. Como irá perceber,
o conteúdo é todo em inglês. No site, você poderá ver os locais onde são realizados os testes.

A maioria tem sede no exterior, mas alguns possuem convênios com instituições brasileiras.
É necessário olhar caso a caso e verificar quais possuem convênio com instituições nacionais.
Outro site que pode visitar é o http://www.closerlookatstemcells.org/. Da mesma forma que o primeiro,
o conteúdo também é em inglês, mas é um site onde você poderá se informar acerca das células-tronco.

Além disso, no site da Rede Nacional de Terapia Celular (http://www.rntc.org.br/), poderá baixar
o Manual do Paciente sobre Terapias com Células-Tronco. É muito importante que esteja atento ao que é indicado lá.

Se quiser, também pode nos acompanhar no Twitter: @LaNCE_UFRJ ou o Twitter da Rede Nacional
de Terapia Celular (@celtroncoRNTC). Os dois perfis são atualizados periodicamente com informações e
novidades na área de células-tronco.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

EUA aprovam novo teste de células-tronco embrionárias para cegos

A empresa de biotecnologia ACT (Advanced Cell Technology) anunciou nesta segunda-feira ter recebido sinal verde do governo para iniciar a segunda série de testes com células-tronco embrionárias humanas para tratar a cegueira, desta vez em pessoas mais velhas.
O teste avaliará a habilidade da terapia para tratar com segurança pessoas com um problema conhecido como degeneração macular senil, o tipo mais comum de perda irreversível da visão entre os doentes com mais de 60 anos.
Ainda não há cura para a doença, que afeta de 10 milhões a 15 milhões de americanos e outros 10 milhões de pessoas na Europa, acrescentou a empresa.
 Teste vai avaliar terapia para degeneração macular senil, que leva à perda da visão entre pessoas com mais de 60 anos
A FDA (sigla em inglês de Food and Drug Administration), entidade que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, liberou, em novembro, a empresa sediada em Massachusetts para começar um teste similar com pacientes com uma forma progressiva de perda de visão juvenil, conhecida como doença de Stargardt.

"A ACT agora é a primeira empresa a receber o aval da FDA para dois testes com hESC (sigla em inglês para células-tronco embrionárias humanas) e agora é um verdadeiro líder transnacional no campo da medicina regenerativa", declarou Gary Rabin, presidente interino e chefe executivo.

"Representa um grande passo à frente, não apenas na área das células-tronco, mas potencialmente para técnicas modernas de cuidado com a saúde", continuou.

A companhia espera começar os testes clínicos nos Estados Unidos nos próximos meses e pretende procurar aprovação para testes similares na Europa. Os mercados americano e europeu para este tipo de tratamento soma de US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões, acrescentou a empresa.

TERCEIRO TESTE

O anúncio da ACT é o terceiro deste do tipo, depois que a empresa americana Geron inovou no ano passado com a primeira tentativa já feita para usar tratamento com células-tronco embrionárias em um paciente com lesão na medula espinhal.
A pesquisa com células-tronco embrionárias é um campo controverso desde que as primeiras células foram isoladas, mais de 12 anos atrás. Os críticos condenam a prática porque ela envolve a destruição de embriões humanos.
No entanto, os cientistas afirmam que estas células representam uma grande promessa no tratamento do mal de Parkinson, de diabetes e uma variedade de outras doenças.
Assim como em outros testes com pacientes humanos, o primeiro passo nos testes de fase 1 e fase 2 da ACT é saber se a terapia é segura, antes de ver se funcionam.

"Em uma cobaia com degeneração macular, vimos uma notável melhora no desempenho da visão com relação a animais sem tratamento, sem quaisquer efeitos colaterais", disse Bob Lanza, cientista chefe da ACT.

Doze pacientes participarão do estudo em vários locais nos Estados Unidos, incluindo a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e a Universidade de Stanford.

A terapia usa células do pigmento do epitélio retinal (RPE) derivadas de células-tronco embrionárias para substituir as células de RPE danificadas em pacientes com a doença.
A degeneração macular senil, tipo da doença que ocorre em 90% dos casos, causa a deterioração da visão central quando as células de RPE na mácula do paciente, no centro da retina, perdem a habilidade de funcionar.
Pacientes frequentemente experimentam um embaçamento no centro do campo de visão, enquanto a visão periférica permanece intacta.

"À medida que a população envelhecer, espera-se que dobre a incidência de denegeração macular senil nos próximos 20 anos, exacerbando esta necessidade médica, ainda sem solução", disse Lanza.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nova notícia sobre tratamento de LM - Celulas Tronco

SAN DIEGO, CA - (Marketwire) - 12/10/10 - Medistem Inc.: (PINKSHEETS: MEDS) anunciou hoje a publicação peer-reviewed de seus dados em que se acredita ser a primeira "terapia de combinação" tronco adultas protocolo de celular para lesão medular.



Atualmente tronco de células em ensaios clínicos de SCI têm sido focados na utilização de medula óssea autólogo, MSC, ou células olfativas embainhante, com um relatório do caso da medula alogênico de células progenitoras multipotentes derivadas [ 92 ]. A possibilidade de utilizar fontes de células-tronco alogênicas permitiria a geração de padrão ", pronto a usar" produções celular que pode ser amplamente aplicada. Enquanto MSC alogênico, têm sido utilizados para ensaios clínicos fase final com segurança a ser estabelecida [ 112 ], poucos trabalhos têm sido relatados no alogênico de células CD34 na ausência de mieloablação / imunossupressão. Os autores publicaram recentemente uma série de 114 pacientes com doenças neurodegenerativas alogênico não tratados com sangue do cordão umbilical células combinadas. Embora não eventos adversos foram associados com a terapia, pouco se sabe sobre a eficácia potencial desta abordagem [ 113 ]. A possibilidade de uma aproximação da combinação seria conceitualmente interessante, dado que são conhecidas MSC inflamatória e do fator de crescimento produtores de anti-, enquanto que as células CD34 produzir fatores angiogênicos e, em alguns casos têm sido demonstrado de se diferenciar em neurônios diretamente. Aqui nós descrevemos um protocolo baseado em uma combinação de administração intratecal de CD34 e placentário MSC derivadas.

O paciente nasceu em 05 de novembro de 1979 e sofreu uma lesão medular em um único acidente de avião a hélice do motor em 13 de maio dia de 2008. No momento do acidente ele foi diagnosticado com um cabo de lesão medular incompleta no nível T12 - L1, ea fratura por esmagamento do corpo vertebral L1 que foi descrito como um tipo A na escala ASIA. O paciente foi tratado inicialmente no Hospital do México, na Costa Rica no dia do acidente. A coluna foi estabilizada com hastes paravertebral de T11 a L2. fragmentos de ossos foram retirados do canal espinhal. Após uma semana de ser hospitalizado, ele foi transferido para o Centro Nacional de Reabilitação em Costa Rica, onde permaneceu por quatro semanas. Ele foi obrigado a usar um cinto de apoio lombar e teve que permanecer na posição supina e fisioterapia focado em exercícios de alongamento. A dor neuropática foi presente a um 10/10 para o qual foi administrada a Lyrica 300 mg / dia.

Medistem é um adulto de células-tronco empresa com sede em San Diego, Califórnia. A empresa apresentou um novo de investigação da droga (IND), com o FDA para o uso do seu doador universal endometrial células regenerativas (CEI) para o tratamento da isquemia crítica, uma forma avançada de doença arterial periférica. As pilhas regenerativas Endometrial podem ser comprados para uso em pesquisa no site da General LLC Biotecnologia:: www.gnrlbiotech.com/?page=catalog_endometrial_regenerative_cells:.

"Pretendemos iniciar os ensaios clínicos em os EUA no primeiro trimestre de 2011. Através desta esperamos ter os dados dos relatórios do caso promissores, como o de hoje discutida, no âmbito científico exigido pela FDA para descer o caminho para registo completo ", disse o Dr. Sablin, Vice-Presidente da Medistem, que também é fundador da Selena Farmacêutica e co-fundador da empresa NASDAQ Medivation Inc." O fato de que células do endométrio regenerativa pode ser feita em pulmão, fígado, cérebro, pâncreas , osso, vaso de gordura no sangue, coração, tecido muscular e sugere que essas células podem ser úteis para inúmeras doenças. "

"Até à data temos publicados os resultados dos pacientes na esclerose múltipla, insuficiência cardíaca, Distrofia Muscular de Duchenne e, agora, lesão da medula espinhal", disse Zaharchook, Vice-Presidente e Membro da Diretoria da Companhia. "Enquanto nós, como uma empresa estão focadas no nosso programa de isquemia crítica, estamos otimistas com os outros usos clinicamente aplicáveis do CEI e estão buscando parceiros estratégicos."

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Terapia americana será base de teste clínico com células-tronco neurais

Julgamento vai usar células-tronco neurais purificadas e será realizado no HU da Universidade de Zurique


A terapia desenvolvida por Aileen Anderson e Brian Cummings de Sue Universidade da Califórnia Irvine (UCI), EUA, em colaboração com pesquisadores da StemCells Inc. será a base do primeiro teste clínico no mundo sobre o uso de células-tronco neurais humanas para tratar lesões da medula espinhal.

A Swissmedic, agência suíça de regulamentação para os produtos terapêuticos, autorizou as fases I / II do ensaio clínico de lesão medular crônica, os casos em que a inflamação se estabilizou e a recuperação atingiu um platô.

O julgamento vai utilizar células-tronco neurais humanas purificadas e será realizado no Hospital Universitário da Universidade de Zurique, Suíça, um dos líderes mundiais em centros médicos de lesão medular e reabilitação.

O ensaio foi projetado para avaliar a segurança e a eficácia preliminar em pacientes com graus variados de paralisia, com três a 12 meses pós-lesão no momento do transplante. A inscrição no projeto está prevista para começar no início de 2011.

"Esta notícia é tremendamente emocionante", disse Anderson, professor da UCI. "As células estaminais neurais humanas podem representar uma promessa para ajudar as pessoas com lesões na medula espinhal a recuperar função perdida".

Anderson e Cummings realizaram oito anos de estudos pré-clínicos em roedores e demonstraram o potencial terapêutico de células-tronco neurais.

Seus esforços têm mostrado como estas células, quando transplantadas em colunas vertebrais danificadas, podem se diferenciar em células do tecido neural - como oligodendrócitos e neurônios - e migram para sítios de lesão.

Outros estudos com células-tronco têm-se centrado na fase aguda ou inicial, de lesão da medula espinhal, um período de até algumas semanas após o trauma inicial, quando as terapias de droga podem levar a alguma recuperação funcional. A experiência suíça é significativa porque vai testar a segurança do tratamento e restaurar a mobilidade durante a fase crônica, ou mais tarde. Atualmente não existem terapias de droga para ajudar a restaurar a função durante esta fase.

"Cerca de 1,3 milhões de indivíduos nos EUA estão vivendo com lesão medular crônica", disse Cummings, da UCI. "Este julgamento será a primeira oportunidade de demonstrar que células-tronco neurais pode ser um método viável de tratamento para estes pacientes".

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

EUA autorizam segundo teste com células-tronco embrionárias

De Jean-Louis Santini (AFP) – Há 9 horas

WASHINGTON — Os Estados Unidos autorizaram pela segunda vez nesta segunda-feira a realização de um teste clínico com derivados de células-tronco embrionárias humanas, uma terapia tão promissora quanto controversa, com o objetivo de tratar uma doença infantil da vista hereditária e irreversível.

A autorização concedida à empresa Advanced Cell Technology, de Massachusetts, permitirá dar início a um teste clínico com 12 pacientes de pelo menos 18 anos que sofrem do Mal de Stargardt, uma afecção ocular vinculada a uma degeneração da parte central da retina.

A agência sanitária americana, Food and Drug Administration (FDA), autorizou pela primeira vez, em janeiro de 2009, à empresa de biotecnologia Geron Corporation a realizar um teste clínico com um tratamento experimental baseado em células-tronco embrionárias humanas em pessoas que sofrem de paralisia em função de uma lesão na medula espinhal. O teste clínico começou em outubro passado.

O Mal de Stargardt, atribuído em grande parte à alteração de um único gene, afeta cerca de 25.000 pessoas nos Estados Unidos, principalmente entre os sete e 20 anos, e é uma das formas de cegueira juvenil mais frequente no mundo.

"Atualmente, não existe qualquer tratamento contra o Mal de Stargardt", explicou o dr. Robert Lanza, chefe científico da empresa.

"Com as células-tronco embrionárias, podemos gerar virtualmente uma quantidade ilimitada de células do epitélio pigmentário da retina, as primeiras que morrem com o Mal de Stargardt e outras formas de degeneração macular", acrescentou.

A degeneração macular entre os idosos é uma das principais causas de cegueira, com mais de 30 milhões de casos no mundo.

As células do epitélio - que fazem a recepção da luz no olho e são fundamentais para a visão - derivadas de células embrionárias humanas permitiram uma restauração completa da vista em ratos sem efeitos secundários, informou a empresa.

"Não observamos nenhum tumor cancerígeno ou outro efeito perverso", declarou Lanza.

"O começo deste teste clínico marca uma etapa importante para desenvolver terapias derivadas de células-tronco embrionárias destinadas a vastos mercados", enfatizou William Caldwell, presidente da ACT.

"As terapias resultantes desses testes abrem caminho para verdadeiros tratamentos que mudarão a via de milhões de pessoas e vão revolucionar a comunidade médica", afirmou Caldwell, estimando um mercado potencial de 25 a 30 bilhões de dólares.

As células-tronco embrionárias são as únicas células que têm capacidade de se multiplicar de forma ilimitada e de se transformar em qualquer célula do corpo, com um enorme potencial para tratar muitas doenças ainda sem cura, como o Mal de Parkinson.

O maior desafio é conseguir que as células "se diferenciem" para que se convertam nas desejadas pelos pesquisadores sem o perigo de se transformarem em células indesejadas, como os tumores cancerígenos.

Mas a pesquisa e o uso das células são um tema controvertido por serem tiradas do embrião humano na primeira fase de seu desenvolvimento, o que conduz a sua destruição. Grupos religiosos e legisladores conservadores se opõem a isso.

O presidente americano Barack Obama levantou em 2009 as restrições sobre o uso de fundos públicos para trabalhos sobre estas células que havia sido imposto em 2001 pelo governo do governo de George W. Bush.

Em agosto passado, uma ação judicial resultou no congelamento dos fundos federais destinados à pesquisa sobre células-tronco. Mas em outubro uma suspensão desta decisão permitiu seguir com os trabalhos até que se emita uma decisão em uma corte de apelações.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A intenção dos movimentos ainda está lá

Cérebro de tetraplégicos continua dando ordens aos músculos

Parece ficção científica, mas acredite: é possível captar, com pequenos fios de arame inseridos no cérebro, os comandos que os neurônios enviam aos músculos de ratinhos de laboratório, e levá-los a um computador que movimenta uma alavanca sem que o animal precise, de fato, se mexer. Esta descoberta do grupo do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, e que o Cérebro Nosso trouxe até você em 2000, em princípio tem tudo para ser aplicada em breve ao cérebro de seres humanos paralisados.

A bem da verdade, a possibilidade de aplicação ao cérebro humano esbarrava num pequeno detalhe crucial. No experimento, os animais tinham a coluna espinhal intacta, garantindo que as ordens do cérebro chegassem até o alvo - os músculos. O problema em potencial é que, quando não há mais como ter suas ordens executadas, o cérebro possivelmente sofreria uma reorganização, e talvez até deixasse de gerar as ordens. Em outras palavras: talvez o cérebro, quando o corpo fica paralisado, desaprendesse a comandar os músculos - o que tornaria inútil o mais sofisticado dos aparelhos de "leitura cerebral".

Mas um estudo americano, publicado em outubro de 2001, mostra que a natureza está a favor do homem. Acompanhando por ressonância magnética funcional a ativação no cérebro de cinco voluntários tetraplégicos há mais de um ano, pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts observaram que quando os voluntários tentavam, sem sucesso, fazer movimentos com as partes paralizadas do corpo, havia ativação nas zonas motoras apropriadas do cérebro. Há evidência de uma pequena reorganização, mas o "mapa" no cérebro dos músculos paralizados do corpo ainda está lá. E continua dando ordens.

Mas talvez com mais tempo a reorganização vá aumentando, e o cérebro vá esquecendo aos poucos como era dar ordens aos músculos. Portanto, já que um dos lemas do cérebro parece ser "usar para não perder", o resultado do estudo sugere um novo dever-de-casa para quem está paralisado: por mais que pareça absurdo, pode ser uma boa idéia continuar tentando mover os músculos paralizados, como uma espécie de "fisioterapia virtual". O cérebro ainda sabe como fazê-lo, e não custa nada ir treinando para manter em forma suas habilidades de comando. Assim, ele estará bem preparado para o dia em que chegarão os eletrodos que substituirão a medula, danificada, na tarefa de transmitir os comandos aos músculos. E olha que desta vez a ficção científica não deve tardar a se tornar realidade...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Céluas Tronco

Paciente dos EUA é o primeiro a ser tratado com células de embriões
DA REUTERS


Médicos começaram a tratar o primeiro paciente nos Estados Unidos a receber células-tronco embrionárias, mas os detalhes sobre o teste clínico inovador estão sendo mantidos em sigilo, disse nesta segunda-feira a companhia de biotecnologia Geron Corp.

A Geron possui a primeira licença da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA para o uso das células controversas no tratamento de pacientes com lesões recentes na medula espinhal.

"O paciente foi cadastrado no Shepherd Center, hospital com 132 leitos e centro de pesquisas clínicas sobre reabilitação de lesões cerebrais e da medula espinhal, situado em Atlanta, Geórgia", disse a Geron em comunicado à imprensa.

"O Shepherd Center é um dos sete centros potenciais nos EUA que poderão cadastrar pacientes no teste clínico." A Universidade Northwestern, em Chicago, também está pronta para cadastrar pacientes.

As células-tronco usadas pela Geron vêm de embriões humanos excedentes de tratamentos de fertilidade. Foram manipuladas para se tornarem precursoras de determinados tipos de células nervosas.
A esperança é que as células-tronco se desloquem até o local de uma lesão medular recente e liberem compostos que ajudem os nervos lesionados da medula a se regenerarem.

O teste de fase 1 não terá por objetivo curar pacientes, mas determinar se as células são seguras para uso. Pelas diretrizes definidas para o teste, os pacientes devem apresentar lesões muito recentes.

A Geron disse que o Shepherd Center vai manter em sigilo as informações sobre o pacientes.

"Quando começamos a trabalhar com células-tronco embriônicas humanas, em 1999, muitos previram que várias décadas se passariam antes de a terapia celular ser aprovada para testes clínicos com humanos", disse em comunicado o presidente e executivo-chefe da Geron, Thomas Okarma.

Como a Geron fez todo seu trabalho com verbas próprias, ela não é sujeita às limitações impostas ao financiamento federal de pesquisas com células-tronco embriônicas humanas.

O governo dos EUA está atualmente envolvido em uma disputa legal em torno das células-tronco. Semanas depois de tomar posse, em 2009, o presidente Barack Obama emitiu uma ordem executiva reduzindo as restrições ao financiamento federal das pesquisas com células-tronco embriônicas humanas.

Os adversários do uso das células-tronco dizem que é errado utilizar um embrião humano para produzir as células, e dois pesquisadores processaram os Institutos Nacionais de Saúde. Uma corte federal de apelações decidiu continuar a autorizar o financiamento federal dos estudos até que a ação seja julgada.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pesquisadores começam testes com células-tronco em pacientes paraplégicos

Pesquisa desenvolvida em hospital de Salvador em parceria com a Fiocruz pretende trazer melhora de alguns movimentos para pacientes que passarão por cirurgia.

Pesquisadores do Centro de Terapias Celulares do Hospital São Rafael, na Bahia, parceria com a Fiocruz, vão começar, este mês, os primeiros testes com células-tronco em pacientes paraplégicos.


A pesquisa é desenvolvida em um hospital de Salvador, onde está um dos mais modernos centros de terapia celular da América Latina.

Cães e gatos com paralisia nas patas traseiras receberam injeções de células-tronco mesenquimais, que têm grande capacidade de se transformar em vários tipos de tecido. Todos tiveram melhora na musculatura que controla o fluxo de fezes e urina e mais da metade recuperou a sensibilidade e a força nas patas afetadas.

Agora, os cientistas da fundação Osvaldo Cruz começam a realizar o mesmo tratamento em 20 pessoas com paralisia. As células-tronco mesenquimais são retiradas do osso do quadril do próprio paciente, separadas e enriquecidas numa solução de hormônios e vitaminas.

Na incubadora, em condições especiais de temperatura e umidade, as células-tronco mesenquimais se multiplicam. Elas são mantidas por até um mês. É este processo que oferece aos cientistas a quantidade de células-tronco que eles necessitam para a pesquisa.

Para este primeiro estudo, os cientistas selecionaram apenas pessoas que tiveram a medula rompida na região do tórax. Elas serão submetidos a uma cirurgia semelhante às realizadas nos animais.
“Injetando diretamente na medula, no ponto onde você quer, no seu alvo, você tem uma maior concentração de células, que é o nosso diferencial em relação a outros estudos", disse o neurocirurgião Marcus Vinícius Mendonça.

A primeira cirurgia deve ser realizada ainda este mês. Depois de operados, os pacientes vão fazer fisioterapia durante seis meses para e serão acompanhados pela equipe nos próximos dois anos. Os cientistas estão animados, mas cautelosos: "Ninguém tem expectativa que um paciente que vai ser tratado com células-tronco e vai sair daqui correndo. Se eles tiverem melhora de alguns movimentos, isso já traz um benefício na qualidade de vida muito grande", falou o pesquisador da Fiocruz Ricardo Ribeiro.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O TRUCO DAS CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

Na semana passada o FDA autorizou – aparentemente em definitivo – o início do primeiro experimento clínico envolvendo o uso de células-tronco embrionárias em seres humanos. Nos próximos meses, a empresa de biotecnologia Geron, da Califórnia, selecionará cerca de 10 pacientes, vítimas de lesões medulares, para receber injeções de “células progenitoras de oligodendrócitos”.


Os oligodendrócitos são células que se enrolam como uma capa isolante em volta dos nervos, formando as chamadas “bainhas de mielina”, necessárias para a transmissão de sinais elétricos ao longo do sistema nervoso. Em muitos casos de lesão medular, esse “encapamento” de mielina se desintegra, causando paralisia, mesmo que os nervos propriamente ditos não tenham sido danificados.

A estratégia da Geron, portanto, foi usar células-tronco embrionárias (CTEs) para produzir células progenitoras de oligodendrócitos (CPOs) in vitro, com a esperança de que, uma vez injetadas no local da lesão, essas CPOs “amadureçam” e se transformem em oligodendrócitos de fato, capazes de “reencapar” os nervos afetados e recuperar, ao menos parcialmente, as capacidades motoras dos pacientes. (Veja um vídeo produzido pela empresa aqui, mostrando como a técnica foi testada em ratos.)

Para entender como isso é possível – e porque esse experimento já causou e certamente ainda vai causar muita polêmica –, é preciso entender o que são, exatamente, as células-tronco embrionárias (CTEs) – e porque elas causam tanta polêmica.

Pois bem … as células-tronco embrionárias são as células primordiais que se diferenciam dentro de um embrião para dar origem a todos os tecidos do organismo adulto. Elas são formadas cerca de cinco dias após a fusão do espermatozóide com o óvulo (fertilização), num estágio em que o embrião é chamado de blastocisto.

A foto acima é de um blastocisto humano. As células-tronco são aquela massinha de células dentro do embrião. São elas que vão formar todo o organismo do futuro bebê, enquanto que as células da “casca” darão origem à placenta e outros tecidos de suporte à gestação. Note que não há bracinhos, nem perninhas, nem cabeça, muito menos coração ou cérebro nesse estágio. É apenas uma bolinha microscópica de células.

Nesse estágio, as células-tronco ainda estão completamente indiferenciadas. Uma boa analogia para entender isso é pensar nelas como cartas curingas dentro de um baralho. A carta curinga é indiferenciada – ou seja, pode se transformar em qualquer carta que você quiser – enquanto que as outras cartas do baralho são diferenciadas – um ás de paus é um ás de paus, e não há como mudar isso.

Maravilha! Mas tem um probleminha: as células-tronco não gostam muito de ser controladas. Prezam pela espontaneidade. Você coloca elas na posição de um 5 de copas e, de repente, elas viram um 8 de espadas. E você não quer isso acontecendo no seu jogo, muito menos dentro do seu organismo.

O que os cientistas da Geron fizeram, portanto, foi desenvolver um protocolo de cultura celular (uma fórmula, digamos assim) que induz as CTEs a se diferenciar especificamente em CPOs, e não em qualquer outro tipo de célula. As células que serão injetadas nos pacientes, portanto, não serão células-tronco embrionárias propriamente ditas (o que seria extremamente arriscado, pois não haveria como controlar a diferenciação delas dentro do organismo), mas células semidiferenciadas, já “marcadas” para se transformar em oligodendrócitos, especificamente.

A semente da discórdia

A grande polêmica em torno disso tudo é que, para obter as células-tronco embrionárias, é preciso destruir um embrião. E muitas pessoas consideram isso eticamente inaceitável. Algo equivalente ao aborto.

Não há dúvida de que as células-tronco embrionárias têm o potencial de gerar um ser humano (como acabei de explicar). Do ponto de vista ético, porém, é importante ressaltar que os embriões usados em pesquisa são embriões produzidos por fertilização in vitro, em clínicas de fertilidade, e descartados pelos seus genitores. Eles não foram gerados dentro de um útero, muito menos retirados de dentro de um útero. Foram gerados manualmente por um técnico de laboratório, que injetou um espermatozóide dentro de um óvulo com um seringa, olhando por um microscópio.

Do ponto de vista biológico, portanto, as células são idênticas. Mas e do ponto de vista ético, também? Em outras palavras: Um blastocisto gerado in vitro no laboratório tem os mesmos direitos que um blastocisto gerado in vivo no útero? Destruir um blastocisto produzido in vitro para extrair células-tronco equivale moralmente a matar um ser humano?

Torço para que o experimento da Geron dê certo. Mas a resposta a essas perguntas independe disso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Justiça dos EUA barra fundos para estudo com célula-tronco embrionária

Financiamento federal fora liberado pelo presidente Barack Obama.
Veja infográfico sobre o que as células-tronco podem e não podem fazer.

A Justiça americana decidiu nesta segunda-feira (23) deter o financiamento federal - autorizado pelo presidente Barack Obama - para a pesquisa com células-tronco embrionárias, ao considerar que envolve a destruição de embriões humanos.
Um juiz dos EUA concedeu liminar contra o uso de verbas públicas federais para os estudos. O governo Obama pode recorrer da decisão, ou rever suas diretrizes.
Pesquisadores solicitaram a liminar em junho, alegando que a pesquisa contraria a lei por envolver a destruição dos embriões. Em sua decisão de 15 páginas, o juiz Royce Lamberth concordou que a prática é "claramente uma pesquisa em que um embrião é destruído".
O Departamento de Justiça ainda não se pronunciou.
Alguns grupos cristãos contrários à pesquisa com embriões apoiaram a ação judicial, movida por cientistas que tentam desenvolver células-tronco a partir de organismos adultos.
Em março, Obama cancelou uma proibição para a pesquisa com células-tronco embrionárias, citando os potenciais avanços médicos e uma nova era para a ciência americana, desprovida de ideologia política.
A ordem executiva emitida pelo presidente reverteu uma proibição de seu antecessor, George W. Bush, que tinha sido criticada por dificultar a descoberta de novos tratamentos para doenças graves, como Alzheimer, Parkinson e diabetes.
No Brasil, as pesquisas com células-tronco de embriões humanos foram consideradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em 29 de maio de 2008.

Com informações da France Presse e da Reuters

terça-feira, 10 de agosto de 2010

EUA autorizam teste com células-tronco embrionárias em pacientes

Liberação veio da Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos.
Método para o emprego das células é do grupo Geron Corporation.


A Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira (30) que irá liberar o uso de células-tronco embrionárias para uma primeira aplicação em humanos.
É a primeira vez que um órgão oficial libera o emprego de células-tronco em humanos. O método, conhecido como GRNOPC1 e desenvolvido pelo grupo Geron Corporation, será voltado para o tratamento de pacientes com lesões na medula espinhal.
A FDA havia concedido a autorização para a mesma pesquisa em janeiro de 2009, mas colocou a decisão em suspensão no mês de agosto do ano passado após a descoberta de cistos em ratos de laboratório que haviam recebido células-tronco pelo método GRNOPC1.
O grupo Geron precisou desenvolver outro estudo com ratos para apresentar uma nova forma de identificar a "pureza" das células. A companhia planeja monitorar os pacientes durante 15 anos e argumenta que cistos na medula espinhal podem aparecer mesmo sem a administração de células-tronco.
Células-tronco embrionárias são conhecidas como pluripotentes por poderem gerar qualquer tipo de célula no corpo. Os cientistas têm como objetivo desenvolvê-las e aplicá-las na restauração de tecidos e órgãos em medicina.
Outro grupo de pesquisas com células-tronco, o Advanced Cell Technology, também busca autorização da FDA para realizar testes em humanos desde novembro de 2009. A empresa espera uma resposta da agência federal norte-americana dentro dos próximos 30 dias.

ESTADO DA BAHIA AVANÇA NAS PESQUISAS DE CÉLULAS-TRONCO

Nas próximas semanas, a ciência da Bahia dá um passo importante para a consolidação das terapias com células-tronco. Pesquisadores do Centro de Biotecnologia e Terapias Celulares (CBTC) do Hospital São Rafael, em Salvador, vão realizar os primeiros testes em humanos de um tratamento para recuperação dos movimentos de pacientes paraplégicos.

As experiências iniciais realizadas em cães e gatos apresentaram bons resultados. Segundo a pesquisadora Milena Soares, que coordena o trabalho, a terapia foi usada em dez animais que haviam sofrido quedas ou atropelamentos e perdido parte dos movimentos. As células-tronco foram retiradas dos próprios animais, cultivadas durante quatro semanas em laboratório e depois injetadas nos locais lesionados.

“Esses animais tiveram melhora em termos de ganho de movimentação dos membros, função urinária e sensibilidade. Com base nesses resultados, nós tivemos aprovado na Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) um estudo clínico que será iniciado semana que vem em 20 pacientes com paraplegia. Depois eles vão passar por um período de fisioterapia e esperamos que melhorem como os animais”, explica a pesquisadora.

Se tudo correr bem e os resultados forem os esperados, os testes serão ampliados até que o procedimento possa ser adotado como um tratamento médico. A fase inicial da pesquisa vai durar no mínimo dois anos; com base no que for observado, serão feitas novas análises, até a liberação.

“Podemos calcular entre quatro e cinco anos para que o processo seja concluído. Obviamente que, como qualquer terapia, ela vai passar por ajustes e aprimoramentos para que se tenha o melhor efeito terapêutico. Vamos avaliar o número de administrações de células-tronco e a dose que precisa ser aplicada em cada tipo de lesão, para que se tenha o melhor resultado terapêutico possível”, afirma Soares.

Bahia é pioneira nas pesquisas

A Bahia é pioneira em pesquisas com células-tronco e o CBTC o melhor centro de estudos desse tipo de tratamento na América Latina. As pesquisas são financiadas, em parceria, pelo próprio Hospital, Governo do Estado, Ministério da Saúde, Fiocruz e CNPQ.

Um dos destaques do CBTC é a sala de cultivo de células humanas. Inaugurado recentemente, é o primeiro no Brasil a realizar o trabalho de cultivar as células-tronco que serão usadas nas pesquisas com humanos. O centro também ganhou, com apoio da Fapesb, um biotério. O espaço serve para a criação e manipulação das cobaias usadas na fase pré-clínica das pesquisas.

O pesquisador Ricardo Ribeiro, que é o coordenador nacional das pesquisas com células-tronco para tratamento de Doença de Chagas, explica que “o Conep, antes de liberar as experiências com humanos, exige a realização de testes com animais, para mostrar que o procedimento é eficaz e não tem riscos. Para isso nós conseguimos, com o apoio da Fapesb, esse biotério que pode ser usado em ambiente hospitalar”.

Segundo Ribeiro, com a estrutura que tem hoje “a Bahia está na fronteira das pesquisas em terapia celular. Quando pesquisadores do exterior e do Sul do país chegam aqui no CBTC eles tomam um susto, não acreditam que temos um laboratório tão avançado na Bahia. A gente está na frente. O centro foi implantado antes e já fornece até material para os estudos deles. Isso é a Bahia”.

Para o diretor de Inovação da Fundação de Amparo a Pesquisa da Bahia (Fapesb), Elias Ramos de Souza, o apoio a projetos considerados estruturantes na área da ciência e tecnologia é uma prioridade do Governo do Estado. “As pesquisas em terapia celular, que prometem uma aplicação imediata, é um desses projetos que nós apoiamos em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP)”.

O que são as células-tronco

As células-tronco são células que têm a capacidade de se multiplicar e de se transformar em outros tipos de células do corpo humano. Nos últimos anos, cientistas de todo o mundo têm aproveitado essa característica e usado as células-tronco no tratamento de diversas doenças.

O procedimento consiste, em resumo, na retirada dessas células da medula óssea, aquela região esponjosa que existe dentro do osso e que é rica em células-tronco. O líquido coletado é separado em seus diversos constituintes, de modo a se obter uma fração concentrada de células-tronco. Elas são então injetadas nos locais lesionados e passam a se multiplicar, transformando-se em células sadias que substituem as doentes.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cientistas criam fios vivos, feitos com células-tronco

Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/07/2010

Fios vivos

Cientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, criaram longos fios formados pela junção sequencial de células-tronco vivas e ativas.

Segundo os pesquisadores, estes fios celulares vivos podem se tornar uma ferramenta importante para tratamentos médicos, como ajudar a reparar o tecido do coração e da medula espinhal, e para o desenvolvimento de músculos artificiais.

As células utilizadas como base de sustentação são peptídeos, que se solidificam quanto entram em contato com água salgada, formando um gel que lembra um macarrão instantâneo, atingindo dimensões macroscópicas, visíveis a olho nu.

Quanto integradas com as células-tronco, as nanofibras podem ser injetadas no corpo com uma seringa. Depositadas em uma área onde o tecido foi danificado, as nanofibras ativam processos biológicos que levam à recuperação do tecido.

Nanofibras

Para construir os filamentos, a equipe de Stupp usou uma solução de peptídeos anfifílicos, conhecidos por sua tendência em se auto-organizarem em feixes de nanofibras, que foi aquecida para gerar um cristal líquido.

A solução foi então forçada através de uma pipeta em água salgada contendo cloreto de sódio (NaCl) ou cloreto de cálcio (CaCl2).

Os filamentos, que não são tóxicos, podem ser enrolados, dobrados ou amarrados, e podem ser fabricados em diversos diâmetros, apenas variando o diâmetro da pipeta.

A seguir, os filamentos foram "preenchidos", ou integrados com células-tronco, que passaram a se desenvolver no interior da estrutura filamentosa, seguindo a orientação do fio.

Fios de vida

Em uma demonstração surpreendente do que a nanotecnologia pode fazer em termos de medicina regenerativa, camundongos de laboratório paralisados por lesões na medula espinhal recuperaram a habilidade de usar suas patas traseiras seis semanas depois de receberem o nanomaterial.

Os nanofios também foram utilizados para cultivar músculos cardíacos in vitro, mostrando-se eletricamente ativos 10 dias depois do implante dos fios celulares.

"Injetando as moléculas que nós projetamos para se auto-organizarem em nanoestruturas no tecido espinhal, conseguimos recuperar rapidamente os neurônios danificados," disse Stupp.

"Os nanofios são a chave não apenas para prevenir a formação de tecido cicatricial prejudicial, que inibe a cura da medula espinhal, mas também para estimular o corpo na regeneração de células perdidas ou danificadas," explica o cientista.


Adriano Valim Reis
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Faculdade de Engenharia Química - FEQ
Av. Albert Einstein, 500
Campinas - Brasil

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Uma Noite com o Dr. Hans Keirstead

(Dr. Hans Keirstead - Proeminente pesquisador de células-tronco para falar em Santa Barbara)
Sexta - feira, 4 de junho de 2010
por rowland teisha

Descobertas para mudar o jogo sempre foi recebido com resistência. Isto foi claramente demonstrado por realizações alcançados por proeminentes células estaminais pesquisador Dr. Hans Keirstead. Keirstead é um professor adjunto de Anatomia e Neurobiologia e co-diretor da Sue e Bill Gross Stem Cell Center no Reeve-Irvine Research Center da University of California, Irvine. Keirstead e seu laboratório desenvolveu um método utilizando células estaminais embrionárias humanas(hESCs) para tratar lesões da medula espinhal e, em 2009, este tratamento tornou-se o primeiro ensaio clínico, aprovados pela FDA usando hESCs.

Em 14 de junho de 2010, Keirstead estará dando uma apresentação no Doubletree Fess Parker's Inn, em Santa Bárbara em "Stem Cell Research e sua aplicação para Tratamento de Lesão Medular e na doença."

Durante seus estudos de doutoramento na University of British Columbia em Vancouver, Canadá-nascido Keirstead desenvolveu métodos inovadores para regenerar danos na medula espinhal. Para entender como funcionam esses métodos, é importante ter uma compreensão de como a medula espinhal funciona normalmente. Dois grupos principais de células na medula espinhal são neurônios, que transmitem informações e oligodendrócitos, que atuam para proteger os neurônios e garantir que a informação viaja corretamente. (O último é um tipo de célula glial, assim chamada por ser a "cola" do sistema nervoso). A principal forma oligodendrócitos desempenhar as suas funções de apoio é através do isolamento de neurônios em um material chamado de mielina formando uma bainha de mielina em torno do axônio do neurônio, uma saliência longo do neurônio que conduz os impulsos elétricos.Isso funciona similarmente a como um fio elétrico deve ser isolado para funcionar corretamente.

No entanto, quando a medula espinhal é lesada, oligodendrócitos morrem en masse e, conseqüentemente, os neurônios perdem sua bainha de mielina protetora. Mesmo oligodendrócitos muitos distantes do local de impacto pode morrer, aumentando a área da medula espinhal que tem neurônios sem bainha de mielina. A ausência das bainhas de mielina tão grandemente interrompe o fluxo de informações entre os neurônios na medula espinhal que a paralisia pode resultar até mesmo quando os próprios neurônios são poupados.

Consequentemente, a abordagem principal Keirstead e outros têm sido tomadas para regenerar danos na medula espinhal é restabelecer a bainha de mielina, ou "remyelinate," os neurônios.Isso tem sido realizado principalmente através da introdução de oligodendrócitos novo para a área da medula espinhal danificada.

Keirstead continuou a desenvolver métodos de tratamento de lesões da medula espinhal usando oligodendrócitos, mas começou a incorporação de células estaminais embrionárias humanas (hESCs) em suas abordagens, quando ele se juntou ao Reeve-Irvine Research Center na Universidade da Califórnia em Irvine. Quatro anos depois de ingressar no Centro de Reeve, em 2005, Keirstead relatou que seu grupo não só poderia criar células progenitoras de oligodendrócitos hESCs, mas também pode usar estes progenitores para efetivamente tratar ratos com lesão aguda da medula espinhal.(Isso foi publicado no The Journal of Neuroscience ).Especificamente, quando os ratos foram injetados com células progenitoras oligodendrócitos (denominado OPCs) feita a partir de hESCs, os ratos foram capazes de remyelinate neurônios e melhorar as funções motoras.

Células-tronco humanas embrionárias têm um potencial imenso para o campo da medicina regenerativa porque eles são aparentemente ilimitadas em número e são pluripotentes (ou seja, eles podem se tornar qualquer tipo de célula), mas eles também têm sido cercado por debate ético devido às suas origens biológicas. E, além de células-tronco a partir de tecidos fetal (fetal especificamente células-tronco mesenquimais, que são de uma fase muito mais tarde no desenvolvimento do hESCs são) ou células-tronco neurais (que são obviamente muito limitados na oferta), hESCs são o único tipo de células estaminais célula que tenha sido encontrado para ser capaz de se tornar oligodendrócitos (ou progenitores oligodendrócitos). Por conseguinte, hESCs são atualmente a melhor fonte dessas células para terapias da medula espinhal. E eles parecem ser bastante eficazes.

Em 23 de janeiro de 2009, após a apresentação de dados muito promissores a partir de 24 estudos realizados em animais de um pedido de página 21000 (espero que não precisa ser impresso!), Keirstead e colaboradores da empresa biofarmacêutica Geronrecebeu aprovação do FDA para o primeiro nunca testes em seres humanos usando hESCs.

A fase I de ensaios clínicos para tratar pacientes com subaguda torácica lesões da medula espinhal, injetando o OPCs hESC derivados (identificado como "GRNOPC1") no local da lesão na medula espinhal do paciente, já que este método se mostrou significativamente melhorado remyelination neurônio e locomoção em animais por mais de nove meses após uma única injeção com OPCs. Sete centros médicos os E.U. foram selecionadas para o ensaio clínico, os pacientes elegíveis teriam que ter tido uma lesão medular entre o T3 e T10 segmentos da coluna torácica (perto do meio da medula espinhal) e ser capaz de ser tratado com OPCs apenas 7 a 14 dias após a lesão. A janela de tempo de elegibilidade para o tratamento é claramente um aspecto que exige melhoria, mas reflete o que foi observado em modelos animais: uma ação rápida é necessária após a lesão para que esses métodos sejam eficazes. Esperamos que futuras abordagens podem ser desenvolvidas, ou aquelas correntes melhorou em cima, para aumentar a janela de tempo de tratamento.

No entanto, em agosto de 2009, antes que os pacientes tinham sido tratados, o julgamento foi suspenso pelo FDA. dados de animais submetidos Geron mostrou que as pequenas, não-proliferativa (não crescer) cistos foram encontrados no local da lesão, embora a presença destes cistos não se correlacionam com os animais que tenham efeitos colaterais negativos. No final de outubro de 2009 Geron anunciou que iria reiniciar a fase I de ensaios clínicos em pacientes com lesão medular torácica, e pode expandi-los para incluir pacientes com colo do útero (a parte superior da medula espinhal), lesões no futuro. Os testes são esperados para reiniciar, até Julho de 2010, enquanto os estudos atuais são mais que caracterizam a OPCs em estudos com animais. Geron está também a explorar a aplicabilidade da OPCs no tratamento de outras doenças neurológicas, tais como a doença de Alzheimer, AVC e esclerose múltipla.

A Universidade da Califórnia em Santa Barbara está se tornando um centro para pesquisa de células-tronco que está em transição para a clínica. grupos interdisciplinares no campus colaborar e utilizar células estaminais embrionárias humanas para aplicações na medicina regenerativa no centro do UCSB para Stem Cell Biology e Engenharia . Além disso, o Dr. James Thomson, o pesquisador que, originalmente isoladas hESCs em 1998, mantém um compromisso conjunto do corpo docente da Universidade de Wisconsin e UCSB. Claramente, UCSB está na vanguarda de uma onda de germinação de células estaminais, e fale Dr. Keirstead deverá encontrar um público receptivo e motivado.

Como o conhecimento ea consciência do uso dessas células-tronco muito promissora continua a crescer, a resistência que inicialmente encontrou-se com já foi diminuindo. Os esforços de colaboração com empresas biofarmacêutica pode vir a ser a chave para demonstrar o verdadeiro potencial destas células no tratamento de doenças humanas e ferimentos, tais como o trabalho realizado pela Keirstead e seus colaboradores da Geron mostrou. Para saber mais sobre esses esforços de Hans Keirstead diretamente, 14 de junho atender a sua apresentação aqui em Santa Barbara .

Para mais informações sobre o Dr. Hans Keirstead e sua pesquisa, consulte a California Stem Cell perfil de Keirstead, UC Irvine'sperfil de Keirstead, Keirstead do artigo de 2005 sobre o uso de derivados de oligodendrócitos hESC progenitores para tratar lesões da medula espinhal, a imprensa Geron sobre a aprovação da FDA para clinicamente uso dessas células , o FDA colocação do ensaio clínico em espera em agosto de 2009, ou o FDA / Geron anúncio para relançar o ensaio clínico em 2010 .

Biologia Bytes autor Teisha Rowland é um escritor de ciência, blogueiro do All Things Stem Cell , e aluno de pós-graduação em molecular, celular e biologia do desenvolvimento na UCSB, onde estuda células-tronco. Envie quaisquer ideias para colunas futuras para ela em science@independent.com .

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tudo o que você sempre quis saber sobre tratamentos com células-tronco

É fácil de encontrar algum conhecido que tenha esperança no potencial extraordinário dos tratamentos terapêuticos com células-tronco. O assunto é controverso mesmo no meio médico. Cientistas também não escapam da confusão, afinal são diversos tipos de células-tronco com diferentes aplicações. Simplesmente não dá pra saber tudo o que está acontecendo. Nessa situação, a sociedade sai perdendo, pois não tem acesso a informações atualizadas, não sabe quais os tratamentos disponíveis. Pior, fica sem saber se pode ou não confiar em tal clínica, quanto custa o tratamento ou se é realmente seguro e eficaz.

Células-tronco estão na mídia o tempo todo, mas a informação que chega até o paciente é pulverizada. Foi com a intenção de centralizar essas informações e facilitar a transmissão dos dados sobre tratamentos disponíveis a pacientes e profissionais de saúde que a Sociedade Internacional de Pesquisa com Células-Tronco (ISSCR, na sigla em inglês) lançou recentemente um portal de acesso para a comunicação dos avanços em células-tronco na área clínica (http://www.closerlookatstemcells.org//AM/Template.cfm?Section=Home).

O ISSCR é uma sociedade internacional sem fins lucrativos cujo objetivo é a divulgação dos avanços na área de células-tronco. Participo da sociedade desde sua criação, em 2002, e sempre admirei a forma como é liderada, com uma mistura balanceada de cientistas, pacientes e clínicos. O lançamento desse portal ressalta a preocupação da ISSCR com a transmissão da informação ao público, de forma transparente e sem preconceito.

O portal é bem organizado, de fácil navegação e com linguagem leiga, acessível. A grande desvantagem para o público brasileiro é que a página não tem tradução para o português. Por outro lado, as vantagens são muitas. Além de listar diversas informações úteis e vídeos de cientistas discutindo terapias, oferecidos através de um sistema de busca simples, o portal é interativo e permite a avaliação independente de clínicas em qualquer lugar do globo que ofereçam tratamentos com células-tronco.

O paciente que considera um tratamento é auxiliado na avaliação do método e da clínica que o oferece. Uma série de questões são sugeridas para o paciente perguntar ao médico sobre o procedimento. Talvez mais importante seja a ferramenta que permite recomendar uma clínica para uma revisão científica e médica rigorosa feita pela ISSCR. O órgão vai avaliar a base cientifica, o procedimento clínico, as condições, os profissionais e a eficácia do tratamento, confirmando ou não se existe fraude envolvida.

O protocolo de avaliação levará alguns meses e será padrão. O comitê é formado por membros internacionais, evitando qualquer tipo de preconceito contra o tratamento oferecido. A ISSCR preferiu seguir esse procedimento ao invés de apenas listar as clínicas que considera de baixa qualidade, o que poderia ser algo certamente tendencioso. O racional da avaliação e o protocolo a ser utilizado foi publicado recentemente por um grupo multidisciplinar (Taylor e colegas, Cell Stem Cell 2010). A ideia é evitar que as clínicas se aproveitem do desespero do paciente, cobrando por um tratamento não provado ou ainda experimental. Todos os resultados serão publicados online. Acredito que, com o tempo, as próprias clínicas (pelo menos as mais sérias) vão fazer questão de ser validadas pela ISSCR, ganhando um selo de confiança e atraindo mais clientes.

Achei a idéia da avaliação internacional fantástica, pois permite que clínicas fora dos EUA ou Europa, que não sofrem com a lentidão dos padrões altamente rigorosos dos órgãos de saúde (o FDA americano e EMA europeu), de conseguir atrair atenção mundial com tratamentos efetivos, mas que sofriam preconceitos. Isso deve fortalecer a imagem da pesquisa clínica desses países, levando a publicações em revistas de alto impacto, por exemplo. A meu ver, ótima oportunidade para o Brasil.

Outra parte sensacional desse portal é dedicada ao processo de geração do conhecimento científico que leva a um protocolo clínico. Nessa seção, intitulada de “How science becomes medicine”, está descrito em detalhes e com linguagem clara quais são os passos que a ciência tem que seguir para descobrir e confirmar a eficácia de um tratamento.

As células-tronco exercem hoje um papel único na história da medicina. Pacientes desesperados pela cura, depositam todas as esperanças em tratamentos derivados das pesquisas com células-tronco. A dura realidade é que, salvo algumas doenças sanguíneas, as células-tronco não “curaram” nada até agora. O sonho da cura não pode ameaçar a qualidade da ciência. As direções a seguir no futuro só devem ser decididas pelos resultados gerados nos laboratórios e não por sonhos. A ciência é a única atividade humana que poderá transformar esperanças em realidade.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cientistas da UFRJ testam com sucesso células-tronco de embrião em animais

RIO - Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ alcançaram um avanço na busca por um tratamento para paralisia causada por danos na medula espinhal ao recuperar o movimento de animais paraplégicos com implantes produzidos a partir de células-tronco embrionárias. O estudo confirmou que células tiradas de embriões são um caminho promissor para tratar lesões hoje incuráveis. O trabalho, todavia, ainda é totalmente experimental.

Aceita para publicação na revista científica "Brain Research", a pesquisa mostrou que semanas após receberem uma injeção de células, os roedores recuperaram boa parte da capacidade de locomoção. Apenas cinco países já analisaram o efeito de células-tronco embrionárias na recuperação de paraplegia em animais. A meta dos cientistas agora é ampliar o estudo para macacos, mais próximos do homem.

Custos e problemas éticos considerados
O tratamento dos camundongos foi realizado no Laboratório de Neurodegeneração e Reparo da UFRJ, que estuda terapias celulares para lesões de medula. O grupo, liderado por Ana Martinez, recebeu células-tronco embrionárias do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE), também vinculado à universidade.

- Queremos saber que tipo de célula-tronco terá melhor relação de custo e benefício em um tratamento - antecipa a neurocientista. - Nosso objetivo é descobrir quais são as mais fáceis de adquirir, que não envolvam tantos problemas éticos em sua adoção e provoquem menor rejeição do organismo. As embrionárias foram as primeiras a passar por nosso teste.

As células-tronco embrionárias são conhecidas por sua capacidade de originar todos os tecidos do corpo humano. Na experiência, os pesquisadores da UFRJ injetaram células nervosas que haviam sido desenvolvidas a partir das extraídas de embriões.

- O modo como diferenciamos as células foi suficiente para evitar a formação de tumores e permitir melhores resultados - explica Stevens Rehen, coordenador do LaNCE no Rio. - Poderíamos dar outras pistas a elas, especificando-as ainda mais. No entanto, queríamos vê-las assumindo o papel que julgassem mais interessante para o local comprometido. Trabalhamos com células embrionárias com a expectativa de não só recuperar o local da lesão, como, também, de fazer uma reposição celular.

Dez minutos após os cientistas provocarem a lesão - planejada para se assemelhar o máximo possível à paraplegia humana provocada por acidente -, os camundongos receberam a injeção das células-tronco.

Os dois meses seguintes foram de observação. Os roedores eram filmados enquanto andavam por uma área cercada de 90 centímetros de diâmetros, e sua velocidade foi comparada à de camundongos saudáveis e à de outros que tiveram a mesma lesão, mas não receberam células-tronco.

A qualidade do movimento também foi avaliada. Em uma escala de 1 a 9 - sendo 9 uma mobilidade comum, obtida antes da lesão -, os roedores que passaram por transplante de células-tronco registraram índice 3,8. É quase o dobro daqueles que não passaram por qualquer tratamento (2,0).

- Foi uma diferença significativa - comemora Ana. - O transplante melhorou a função motora dos animais. Aqueles que não receberam células-tronco também registraram uma pequena melhora, devido à reação do próprio organismo ao edema. É algo também visto nos seres humanos, embora com intensidade muito menor.

Impulsos nervosos são fortalecidos
Além de duplicar a resposta natural do corpo, as células-tronco embrionárias reforçaram as bainhas de mielina. Estas estruturas envolvem as células da medula espinhal e seus prolongamentos, favorecendo a transmissão de impulsos nervosos - ou seja, o transporte daquilo que é comandado do cérebro para o músculo. Embora aconteçam anualmente milhares de lesões de medula espinhal em todo o mundo, o processo que impede o corpo de se regenerar e evitar a paralisia é pouco conhecido.

Mesmo com o sucesso de seu estudo, Rehen pondera que ainda será necessário obter uma série de avanços antes de aplicar, em seres humanos, o tratamento experimentado em laboratório.

- Um dos grandes problemas para qualquer transplante celular é a dificuldade das células em se integrar no tecido. Temos de aumentar sua taxa de sobrevivência, que hoje é de apenas 20% - ressalta o pesquisador.

O trabalho dos grupos de Ana e Rehen foi o primeiro no país a aplicar células-tronco embrionárias em medula espinhal e conseguir resultados positivos. No mundo, já são 41 estudos, mas o tema ainda é recente.


Renato Grandelle
Publicado em 29/06/2010
Site: O Globo

Cirurgia envolvendo células tronco é realizada em São Roque

24/6/2010
Amábile Bianchi



Bebê que doou o material tentará ajudar o irmão que ficou tetraplégico em um acidente.
Com uma missão muito especial, veio ao mundo na manhã desta quinta-feira, dia 24/06 Luiz Henrique Sebben, que pode ajudar o irmão Lucas Sebben, que ficou tetraplégico em um acidente, a voltar a se movimentar.No carnaval de 2007 em Goiás, Lucas se acidentou quando estava praticando tirolesa, ao invés de cair em um rio que deveria ter mais de quatro metros de altura, caiu em um banco de areia e bateu com a cabeça, na época ele tinha 18 anos.
A esperança surgiu após os avanços de curas com células troncos, essas células tem a capacidade de dar origem a todos os tipos de células que formam diferentes tecidos no corpo humano.
Essa foi a primeira vez que uma cirurgia que envolve células troncos aconteceu na Santa Casa, em São Roque, logo que o menino de 2,565 kg, nasceu de uma cesariana, médicos especializados do Centro de Criogenia Brasil, CCB, de Sã Paulo, junto a ginecologista e obstetra Dra.Fernanda Pedroni, realizaram a retirada das células do cordão umbilical, do sangue e da placenta do bebê. “Foi um parto bem tranquilo, e uma iniciativa muito bonita da família”, falou a médica.
De acordo ainda com ela, esse procedimento não dá nenhuma garantia que o irmão do bebê Luiz Henrique volte a ter os movimentos. “Existe uma série de procedimentos e exames que serão feitos agora, não existe uma garantia que dê certo, mas com os avanços da genética existe uma boa possibilidade, o importante é que essa família está tentando”, explicou a Dra. Fernanda, que falou ainda, “mesmo que não sirva para o irmão do recém nascido, se ele tiver algum tipo de doença essas células podem salvar a vida dele, já que elas não têm tempo para o uso”.
A iniciativa de ter o bebê e coletar o material genético foi de Miguel Angelo Sebben, pai de Lucas e do pequeno Luiz Henrique. “Após o acidente do meu filho Lucas estamos tentando de tudo para que ele volte a ter os movimentos, e vimos no nascimento de Luiz Henrique essa oportunidade, tenho certeza que ele veio ao mundo para ser a esperança ao meu filho mais velho”, falou o pai.
Sebben contou que seu filho Lucas está muito esperançoso com a possibilidade. “Ele ainda está meio no ar, mas disse que o novo irmão é muito bem vindo”, disse emocionado o pai.


http://www.jeonline.com.br/sitenovo/exibe_noticia.asp?n=3945&id=582